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A Viagem do Peregrino da Alvorada
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Publicado em 04/03/2010 | Tags: ,

O Peregrino da Alvorada flutuará?

O site Christianity Today esteve presente no evento que contou com a participação da equipe de produção do filme As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada e publicou um extenso relato sobre o que viu – e aprovou!

A matéria revela vários spoilers em relação à história do filme, falando sobre o que mudou e revelando que algumas cenas estão exatamente iguais ao livro – na medida do possível, o filme tentou ser o mais fiel.

O evento deixou boas impressões nos presentes e, provavelmente, o filme conseguirá agradar aos fãs. Confira a tradução feita pela equipe do MundoNarnia:

O Peregrino da Alvorada flutuará?
Líderes cristãos viram uma prévia do próximo filme de Nárnia e gostaram do que viram; produtores admitem “erros” em Príncipe Caspian e prometem fazer certo desta vez.

Os produtores por trás dos filmes de Nárnia admitem que eles “cometeram alguns erros” com Príncipe Caspian em 2008, acreditam que endireitaram o navio para A Viagem do Peregrino da Alvorada, que chega aos cinemas em dezembro.

Depois que o primeiro filme de Nárnia, O Leão, A Feiticeira, e O Guarda-Roupa, ganhou quase $750 milhões mundialmente em 2005, Príncipe Caspian – um grande desapontamento para vários fãs do amado livro de C.S. Lewis – arrecadou cerca de metade disso. Nos Estados Unidos, Caspian fez apenas $141 milhões, muito longe do custo de produção que foi de $225 milhões.

Mas desde então a Walden Media (que produziu os dois primeiros filmes) e Disney (que os distribuiu) se separaram; Walden está agora em parceria com a 20th Century Fox para a distribuição. Um novo diretor, Michael Apted, substituiu Andrew Adamson, que comandou os dois primeiros filmes de Nárnia (e é um dos produtores do Peregrino da Alvorada). As mudanças,e um renovado compromisso com a mensagem dos livros deixaram os produtores otimistas.

“Cometemos alguns erros com Príncipe Caspian e e eu não quero cometê-los de novo,” diz Mark Johnson, um dos produtores em todos os filmes de Nárnia.  Ele disse que Caspian faltou um pouco da “maravilha e magia de Nárnia”, foi “um pouco violento” para as famílias, e muito “filme de ação para meninos”. Ele disse que é “muito importante” que os produtores recuperam a magia para Peregrino da Alvorada, agora na fase de edição – e ele está convencido de que conseguiram isso: “Eu quero subir no telhado e dizer que nós temos um filme de Nárnia incrível”.

Johnson e os executivos da Fox e da Walden Media fizeram a próxima melhor coisa, convidando 100 líderes cristãos para uma “Cúpula de Nárnia” realizada dia 16-18 de fevereiro em Los Angeles, onde eles mostraram vídeos de Peregrino da Alvorada e falaram sobre todo o roteiro. Apted veio de Londres para se juntar aos produtores Johnson, Micheal Flaherty e Douglas Gresham para a apresentação para um púublico de fãs de Nárnia – potencialmente os maiores críticos deles.

Os convidados incluem representantes de grandes igrejas (incluindo Tim Keller of New York’s Redeemer Presbyterian e Mark Brewer of Bel Air Presbyterian), Missionários (como Young Life, Focus on the Family, e Youth for Christ), editoras (Relevant  Group estavam entre elas), Experts em Lewis (como Stan Mattson da C. S. Lewis Foundation), e fãs sites (NarniaWeb, NarniaFans).

“Você pode chamar isso de o maior grupo do mundo a quem devemos prestar contas, então estamos definitivamente nervosos”, disse Flaherty, presidente da Walden Media. “Tínhamos pessoas com um conhecimento enciclopédico de C.S. Lewis e dos livros de Nárnia. Mas passamos por cada linha de diálogo e cada cena com eles para ter certeza que foi uma adaptação fiel.”

Parece “muito atraente”
O veredito? Decididamente animador, de acordo com os convidados com quem falamos.

“O que nós vimos no filme, e algumas das cenas de bastidores, foi muito emocionante”, disse Steve Bell, vice-presidente executivo da Associação Willow Creek, que participou com sua esposa Valerie. “Parece muito atraente, um ótimo trabalho”.

“Parece haver um alto nível de respeito pelo material. Meu presentimento é que eles realmente querem focar na autenticidade de C. S. Lewis, talvez mais do que nunca. Eles estão bem conscientes de que têm de mudar o rumo de Príncipe Caspian. Eles sabem que deram a bola fora e eles estão tentando recuperar aquele momento”.

“Eles estão claramente fazendo um esforço para dizer que eles respeitam e entendem o foco espiritual do livro da maneira que talvez [Príncipe Caspian] não teve”, acrescentou o autor Philip Yancey, que esteve presente com sua esposa Janet. “Não parece que eles cortaram alguma parte; eles estão se lançando com tudo neste filme e isto é uma coisa boa. Se eles puderam captar o amor universal por estes livros será incrível”.

Kathy Keller, esposa do pastor sênior da Igreja Presbiteriana do Redentor, Tim, sem dúvidas tem laços mais pessoais com Nárnia que qualquer um dos convidados: ela se correspondeu com Lewis quando adolescente (quatro das respostas dele estão no livro C. S. Lewis’ Letters to Children), tornou-se cristã apenas como resultado da leitura de Lewis, escreveu sua tese da faculdade com o tema “C. S. Lewis’ Mythopoetic Understanding of Literature” [em tradução livre "Mitopoética compreensão da literatura de C.S. Lewis"], e hoje agradece ao autor “como meu mentor pessoal, meu padrão de comparação para uma escrita clara e eficaz, e minha posse privada”.

(Nota do editor: o restante desta tradução inclui spoilers [revelações do enredo], caso você ainda não leu A Viagem do Peregrino da Alvorada)

O que eles precisam para acertar

Keller está mais interessada em “que eles tenham o Aslam certo” em Peregrino da Alvorada, e diz que está em maior parte satisfeita com o que viu e ouviu. “Estou feliz com a interação final entre Aslam e Lúcia que está inteiramente inalterada, porque eu considero essa parte como o auge de todos os sete livros” (próximo ao final do livro, Lúcia está triste porque Aslam está a enviando de volta ao seu mundo e soluça, “Como nós poderemos viver, sem nunca mais te encontrar?”, Aslam a assegura de que ele está também no mundo dela, onde ele tem “um outro nome – você terá de aprender a me conhecer por esse nome, é  exatamente esta a razão porque vocês foram trazidos para Nárnia, para que, conhecendo-me aqui por um pouco, vocês pudessem me conhecer melhor lá”.

Jerry Root, um expert em Lewis e um professor da Faculdade de Wheaton, concorda com Keller, dizendo que se eles não conseguirem fazer esta cena direito “eles bem que podiam parar com a franquia e não produzir mais filme algum, porque não seriam as história de Lewis”.

Keller diz que eles conseguiram acertar outra cena importante: a “desdragonização” de Eustáquio, que muitos consideram como o principal ponto da história (no livro, o egoísta garoto Eustáquio se transforma em um dragão devido à sua ganância; é só através da confissão e da penitência, e da ajuda de Cristo – Aslam, que ele consegue se livrar da pele de dragão e voltar a ser humano de novo). Keller diz que soube que os roteiras originalmente queriam que Eustáquio, ainda em forma de dragão, lutasse com um monstro marinho e “ganhasse” seu retorno para a forma humana. Mas ela disse que Flaherty, um cristão comprometido, “colocou-os na linha dizendo que você não conquista Graça, você a recebe uma vez que você se torna humilde e consciente de sua necessidade”.

Flaherty falou à Christianity Today, “este livro é o mais teológico de todos. Há mais temas complexos, particularmente a Graça, e isso não é fácil de mostrar do jeito certo [em um filme]. Nós tivemos de passar um dia inteiro falando sobre a Graça e a importância de mostrar que ela não pode ser adquirida; ela tem de lhe ser dada. Isto é algo que Eustáquio não consegue sozinho; ele tem de pedir a Aslam para fazer isto por ele. Eu acho que é realmente uma ilustração poderosa da Graça”.

Um diretor agnóstico pode “entender” isso?

Mas Keller e outros não estão totalmente despreocupados. Uma curiosa decisão foi contratar um agnóstico assumido, Apted, para dirigir o filme. Apesar de as credenciais de Apted serem inquestionáveis — eles dirigiu um filme de James Bond (O Mundo Não é o Bastante), uma série de documentários aclamado pela crítica (Seven Up até 49 Up), e várias biografias (O Destino Mudou Sua Vida , Nas Montanhas dos Gorilas, e Jornada pela Liberdade, a história do abolicionista britânico William Wilberforce) — alguns se perguntam se seu agnosticismo o iria impedir de “captar” o sentido espiritual e teológico dos livros.

O analista de mídia Mark Joseph, que não participou do evento Nárnia, mas seguiu de perto os filmes, escreveu um artigo online, “Saving Narnia” [em tradução livre, "Salvando Nárnia"], dizendo que a escolha de Apted “agravou” os problemas surgidos em Príncipe Caspian. Joseph escreveu que Apted mostrou que ele não está “a par de que tipo de fãs formam a base de Nárnia, quando ele pareceu se gabar para os repórteres sobre ter esvaziado Amazing Grace de sua religião”. Joseph questionou,: “Um diretor de um filme com temas religiosos precisa compartilhar daquelas crenças? Não necessariamente. Mas assim como o declaradamente homossexual Gus Van Sant foi uma escolha inteligente para dirigir Milk – A Voz da Igualdade, um filme sobre um homem que também era abertamente gay, ao contrário de Clint Eastwood ou Mel Gibson, então é provavelmente senso comum que filmes como Nárnia ou Amazing Grace são melhores dirigidos por pessoas que, pelo menos, não têm vergonha de sua herança religiosa, ou que parecem exultar por tirar a religião das histórias baseadas na fé”.

Flaherty comenta sobre essa preocupação: “Pode um diretor agnóstico entender os significados profundos de um livro? A resposta é sim, porque este agnóstico fez isso. Nosso interesse sempre foi encontrar o melhor diretor e, sem dúvidas, Michael Apted era o melhor diretor para este filme“.

Johnson, que já produziu mais de 50 filmes (Rain Man – Encontro de Irmãos, O Diário Da Nossa Paixão, Rookie – Um Profissional de Perigo) acrescentou, “Minha experiência em filmes — sejam sobre teologia, política, raça ou preocupações nacionais — é que frequentemente você consegue a perspectiva mais original e mais fiel nos temas envolvidos através de alguém que no papel provavelmente não é a pessoa certa. Eu trabelhei com diretores que à primeira vista pareciam não ser talvez a pessoa certa para o material, e eles acabam revelando o material de um modo que alguém mais próximo provavelmente não conseguiria. Michael Apted se entregou absolutamente, e eu acredito que ele foi capaz de traduzir muito fielmente o livro para o filme”.

Michael Ward, autor de Planet Narnia: the Seven Heavens in the Imagination of C. S. Lewis [Planeta Nárnia: Os Sete Paraísos na imaginação de C.S. Lewis, em tradução livre] (Oxford University Press), disse, “eu acho que um agnóstico ou, nesse assunto, um ateu poderia fazer um bom trabalho adaptando o livro, desde que as exigências sejam sensibilidade literária, imaginação compreensiva, e julgamento estético, não compromisso com Cristo. A coisa vital é que ele mergulhe no livro, e talvez até nas melhores críticas literárias do livro, e decida ser fiel ao seu espírito”.

“É curioso para mim que [Apted] foi atraído pela história”, acrescentou Yancey, “mas não é que ele não possa fazer um grande filme. Eu acho que a essa altura da produção, eles são capazes ‘assumirem a forma’ e trabalhar nela, quer acreditem nela ou não”.

Apted não estava disponível para ser entrevistado neste momento.

Keller tinha outra preocupação com o roteiro de Peregrino da Alvorada. “Eu não estava tão feliz com a imposição de uma questão inventada para recuperar as sete espadas dos setes lordes para desfazer a magia maligna de uma feiticeira nova”, ela disse. “É uma adição relativamente inofensiva, mas como uma fã purista eu ficaria mais feliz sem isso” *.

Problemas com LFGR e PC

Os puristas, que alguns por brincadeira chamam de “a polícia de Nárnia”, tiveram poucos problemas com O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e muitos problemas com Príncipe Caspian.

“Em LFGR“, disse Ward, “a morte e a ressurreição de Aslam foi arruinada, porque foi intercalada com uma outra cena das preparações para a batalha. No livro, a batalha é curta e o que ouvimos é apenas uma retrospectiva. O clímax do livro é a grande coroação, não a batalha, mas os cineastas queriam uma grande batalha, enaltecendo-a, introduzindo ursos polares e rinocerontes para mostrar sua capacidade de computação gráfica e fizeram da coroação como uma espécie de epílogozinho. É completamente nada a ver com o sentimento do conto.

Em Caspian, eles não entenderam que a história é sobre o que é o verdadeiro cavalherismo. Todos os dramas adolescentes de Pedro e Caspian foram completamente falso. A invasão do castelo, colocada no meio do filme, fez ele parecer “O Senhor dos Anéis“. O diretor não entendeu que os livros de Lewis tem sua própria integridade e sua precisa lógica interna, diferente dos livros da série de Tolkien. Nárnia não é, simplesmente, uma Terra Média para crianças. É um mundo construído com cuidado – mais delicado e um mundo artisticamente imaginativo e eles precisam ter esta grande sensibilidade. Aliás, eu penso que [o diretor] Andrew Adamson foi o maior desarranjo para estas duas adaptações.”

Root adicionou, “O pior elemento de Príncipe Caspian foi quando Lúcia viu Aslam pela primeira vez desde que retornou para Nárnia. No livro ela exclama: ‘Aslam, você está maior!’ e Aslam responde: ‘Eu não estou. Mas, cada ano que você cresce, você vai me encontrar maior’. No filme, isso foi seriamente comprometido virando, ‘Aslam, você cresceu’, e Aslam responde, ‘Cada ano que você cresce, eu vou crescer também’. É um horrível compromisso com Lewis e uma teologia realmente ruim”.

Mas Root disse que ele encontrou muitas coisas de que ele gostou nos dois primeiros filmes, e que tem “altas esperanças” com Peregrino da Alvorada. “Embora eu não tenha concordado com tudo o que foi feito até agora, tenho apreciado com muito esforço e na maior parte eu tenho elogiado. Toda vez que Hollywood faz um amigável filme cristão, eu me sinto encorajado. Além disso, se a primeira vez que uma pessoa conhece o trabalho de Lewis através de um filme, e isso faça com que ela se volte para a literatura, vou estar satisfeito”.

* Este trecho foi um equívoco da reportagem, depois fizeram uma ERRATA comentando que a tal feiticeira nova fazia parte de uma discussão durante o trabalho de roteiro, mas não ficou na versão final.

Sobre o filme A Viagem do Peregrino da Alvorada:
Na encantada terra de Nárnia, Edmundo e Lúcia, agora acompanhandos por seu primo Eustáquio, se juntam ao Rei Caspian em uma missão para achar os sete Lordes banidos de Nárnia. Então começa uma nova perigosa busca que os leva à borda do mundo no extremo Oriental à bordo do poderoso Peregrino da Alvorada. Navegando por mares desconhecidos, os velhos amigos devem sobreviver a uma terrível tempestade, encontros com serpentes marinhas, dragões, e inimigos invisíveis para procurar terras onde magos teceram misteriosos encantos e pesadelos se tornam reais. Eles precisam de cada grama de coragem e da ajuda do grande leão Aslam para triunfar em sua aventura mais difícil de todas.

Com Ben Barnes (Rei Caspian), Georgie Henley (Lúcia), Skandar Keynes (Edmundo) e Will Poulter (Eustáquio). O filme é dirigido por Michael Apted e estréia no dia 10 de dezembro de 2010.

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